Por Lívia Monteiro
Embora parecesse instintivo, oferecer ossos aos cães mostrou-se uma prática capaz de comprometer a saúde dos pets. O hábito esteve associado à ideia de que animais carnívoros precisariam caçar, desconsiderando, muitas vezes, as particularidades das raças e os avanços na nutrição animal.
Especialistas reforçaram que, apesar de cultural, a prática apresentou riscos significativos e exigiu atenção dos tutores.
Riscos associados ao consumo de ossos por cães
Do ponto de vista nutritivo, a medula óssea, conhecida como tutano, foi reconhecida por ser rica em gorduras e por estimular comportamentos naturais, além de contribuir para o desgaste mecânico dos dentes. No entanto, para acessá-la, o animal precisou quebrar a estrutura óssea.
Esse processo resultou na formação de fragmentos pontiagudos, que puderam:
- Perfurar órgãos internos
- Provocar engasgos
- Dificultar a digestão
- Causar obstruções gastrointestinais
De acordo com a médica-veterinária Andressa Pinheiro, docente do curso de Medicina Veterinária do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, acidentes envolvendo ossos não foram raros, principalmente quando se tratava de ossos cozidos, como os de galinha. “O processo térmico do cozimento alterou a estrutura do osso, deixando-o mais seco, rígido e quebradiço. Isso favoreceu a formação de lascas pontiagudas, que costumaram causar perfurações na boca, no esôfago e no intestino, além de obstruções gastrointestinais e lesões internas graves, muitas vezes exigindo intervenção cirúrgica”, explicou.
Ossos crus também exigiram cautela
Mesmo sendo menos quebradiços, ossos crus e produtos vendidos em lojas especializadas também demandaram cuidado. Segundo a especialista, foi fundamental considerar a orientação do médico-veterinário, além de avaliar o porte do animal em relação ao petisco e o tipo de material oferecido.
Itens excessivamente duros foram associados a fraturas dentárias e outros danos à saúde oral dos cães.
Alternativas seguras foram recomendadas para o bem-estar dos pets
Diante dos riscos, a recomendação foi investir em opções mais seguras, como:
- Brinquedos mastigáveis específicos
- Enriquecimento ambiental com alimentos, como ração em brinquedos interativos
- Petiscos naturais formulados para mastigação
- Produtos odontológicos aprovados para uso veterinário
Além disso, os tutores foram orientados a observar sinais clínicos que pudessem indicar complicações.
Fique atento aos sinais de alerta
Entre os sintomas mais comuns associados a problemas causados por ossos estiveram:
- Vômitos ou ânsia
- Dificuldade para engolir
- Salivação excessiva
- Apatia
- Dor abdominal
- Perda de apetite
- Fezes com sangue ou constipação
- Inquietação ou vocalização excessiva
Em casos mais graves, sinais de obstrução ou perfuração intestinal exigiram atendimento veterinário imediato.
Alimentação segura contribuiu para a saúde e o conforto dos cães
Para complementar a alimentação, especialistas recomendaram alternativas seguras e indicadas por profissionais. Preparações caseiras só deveriam ser realizadas com orientação adequada, evitando ingredientes tóxicos como cebola e alho. “Com essas escolhas, foi possível promover estímulo mental, reduzir o estresse, cuidar da saúde oral e, consequentemente, contribuir para o bem-estar dos pets, sem os riscos associados aos ossos”, ressaltou Andressa Pinheiro, professora do curso de Medicina Veterinária da UNINASSAU Juazeiro do Norte.