Automedicação com antibióticos e anti-inflamatórios traz riscos à saúde

Especialista da UNINASSAU Juazeiro do Norte alerta para resistência bacteriana e impactos do uso incorreto de medicamentos

Por Lívia monteiro

A automedicação ainda é uma prática comum no Brasil e representa um problema relevante de saúde pública. O uso inadequado de medicamentos, especialmente antibióticos e anti-inflamatórios, pode trazer consequências graves, principalmente quando há confusão entre tipos de doenças e tratamentos.

Infecções e inflamações, por exemplo, podem apresentar sintomas semelhantes, mas possuem origens diferentes, como vírus ou bactérias, o que exige diagnóstico correto para definição do tratamento adequado.

Antibióticos atuam apenas contra bactérias

Os antibióticos são indicados exclusivamente para o tratamento de infecções bacterianas, atuando na eliminação ou no controle da proliferação desses microrganismos.

No entanto, seu uso inadequado pode afetar também as bactérias benéficas do organismo, prejudicando o equilíbrio da saúde.

“O uso frequente e inadequado de antibióticos faz com que as bactérias se adaptem. Atualmente, medicamentos que antes exigiam menos doses passam a demandar tratamentos mais longos, justamente por causa dessa resistência”, explica Raimundo Luiz, microbiologista e docente do curso de Enfermagem da UNINASSAU Juazeiro do Norte.

Uso incorreto favorece surgimento de superbactérias

Um dos principais riscos da automedicação é o desenvolvimento da resistência bacteriana, fenômeno em que as bactérias se tornam mais resistentes aos medicamentos.

Quando expostas de forma inadequada aos antibióticos, essas bactérias podem sofrer mutações, originando as chamadas superbactérias, que dificultam o tratamento e aumentam os riscos à saúde.

Antibióticos não funcionam contra vírus

Outro erro comum é utilizar antibióticos para tratar doenças virais, como gripe e resfriado. Nesses casos, o medicamento não apenas é ineficaz, como pode causar prejuízos ao organismo.

O uso indevido contribui para o aumento da resistência e reduz a eficácia dos tratamentos quando realmente necessários.

Diagnóstico correto é essencial para tratamento adequado

A orientação de especialistas é clara: antes de iniciar qualquer medicação, é fundamental buscar avaliação profissional. “Quando o paciente apresenta infecções recorrentes, é necessário investigar a causa. Com o exame correto, é possível indicar um antibiótico específico, com base no antibiograma, evitando o uso de medicamentos de amplo espectro”, destaca Raimundo Luiz.

O diagnóstico adequado garante maior precisão no tratamento e evita complicações.

Automedicação segue alta no Brasil

Mesmo com regulamentações mais rigorosas, como a exigência de receita médica para antibióticos, a automedicação ainda é frequente no país. Esse comportamento impacta diretamente o aumento de doenças resistentes e reforça a importância da conscientização sobre o uso correto de medicamentos.

Ao abordar o tema, a UNINASSAU Juazeiro do Norte destaca que o uso responsável de medicamentos é essencial para preservar a saúde individual e coletiva. Evitar a automedicação e buscar orientação profissional são atitudes fundamentais para garantir tratamentos eficazes e seguros.

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