Por Pedro Albuquerque
O consumo excessivo de açúcar entre crianças e adolescentes tem se tornado uma preocupação crescente de saúde pública. A globalização acelerada e a maior oferta de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sal, mudaram os hábitos alimentares das famílias e reduziram o consumo de opções naturais, como frutas, verduras e legumes.
Especialistas da UNINASSAU Boa Viagem alertam que esse cenário pode trazer consequências sérias para a saúde infantil, tanto no curto quanto no longo prazo.
De acordo com a nutricionista e professora do curso de Nutrição da UNINASSAU Boa Viagem, Jussara Pessôa, as mudanças no ambiente alimentar influenciam diretamente o comportamento das crianças. “Hoje, as crianças estão cercadas por ultraprocessados altamente palatáveis e ricos em açúcar, como biscoitos, sucos em caixa, achocolatados e refrigerantes. A rotina acelerada das famílias também contribui, já que a falta de tempo favorece escolhas prontas e rápidas, reduzindo o consumo de frutas, por exemplo”, explica.
Esse contexto torna o açúcar cada vez mais presente no dia a dia infantil.
Consumo de açúcar no Brasil ultrapassa o recomendado
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária recomendada de açúcar deve ficar entre 25 e 50 gramas por dia. No entanto, no Brasil, esse consumo costuma chegar a 80 gramas diárias. Na prática, isso significa que cada brasileiro consome cerca de 30 kg de açúcar por ano, número bem acima do limite recomendado, que seria de 18,2 kg por pessoa.
O consumo frequente de açúcar pode causar diversos efeitos progressivos na saúde, conforme alerta a especialista da UNINASSAU Boa Viagem. “O excesso de açúcar pode levar à obesidade, principalmente com acúmulo de gordura abdominal; ao diabetes tipo 2, devido à produção excessiva de insulina; e à hipertensão, causada pelo acúmulo de gordura nos vasos. Também há o risco de esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, que aumenta as chances de doenças na vida adulta”, ressalta.
Esses impactos reforçam a importância da prevenção desde a infância.
Açúcar oculto: o perigo está onde menos se espera
Grande parte do consumo excessivo de açúcar não vem apenas de doces óbvios, como balas, refrigerantes e sorvetes, mas também dos chamados “açúcares ocultos”.
Produtos frequentemente considerados saudáveis podem conter altas quantidades de açúcar, como:
- Iogurtes
- Cereais matinais
- Bebidas lácteas
- Sucos artificiais
- Barrinhas de cereais
Esses itens contribuem silenciosamente para uma alimentação desequilibrada.
Além dos impactos físicos, o açúcar também interfere no comportamento das crianças. “O açúcar provoca picos rápidos de glicose, gerando energia momentânea. Depois, ocorre uma queda, causando cansaço, irritação e dificuldade de concentração. Ele também pode aumentar a ansiedade e a impulsividade, criando uma relação emocional com o doce”, alerta Jussara Pessôa.
Por isso, a especialista reforça que estratégias equilibradas são mais eficazes do que proibições totais.
Estratégias práticas para reduzir o consumo de açúcar
A nutricionista da UNINASSAU Boa Viagem recomenda substituir a proibição pelo equilíbrio e pela educação alimentar. Algumas orientações incluem:
- Reduzir o açúcar gradualmente, evitando rejeição
- Promover educação nutricional desde cedo
- Dar o exemplo, já que as crianças imitam comportamentos
- Evitar extremos, como restrições totais
Trocas simples e saudáveis no dia a dia
É possível substituir alimentos industrializados por opções naturais e nutritivas, como:
- Biscoitos recheados por frutas e castanhas
- Achocolatado por leite com cacau
- Suco de caixinha por frutas in natura ou suco natural
- Sanduíche integral com proteína
- Ovo cozido
- Iogurte natural com frutas
- Bolo caseiro de banana sem açúcar
“O açúcar não precisa ser totalmente proibido. O ideal é que seu consumo seja ocasional, e não diário. A proibição total pode, inclusive, gerar compulsão”, destaca.
O ambiente familiar é decisivo na formação dos hábitos alimentares das crianças. A reeducação deve envolver todos os membros da família, começando pelas escolhas dentro de casa. “Comece pelas compras, evitando ultraprocessados; organize horários das refeições; introduza opções naturais aos poucos; e envolva a criança no preparo dos alimentos. Comer à mesa e sem telas também faz toda a diferença”, orienta a especialista.
Além disso, as escolas exercem papel essencial ao promover hábitos alimentares saudáveis e incentivar a prática de atividades físicas.
Ao abordar esse tema, a UNINASSAU Boa Viagem reafirma seu compromisso com a educação em saúde e o bem‑estar infantil. Informação, equilíbrio e consciência alimentar são os caminhos mais seguros para reduzir o consumo excessivo de açúcar e garantir uma infância mais saudável.