Por Mark Nascimento
O Brasil ocupa uma das primeiras posições entre os países com maior tempo diário de exposição a telas para fins recreativos. O cenário acende um alerta para os impactos que o uso excessivo de celulares, computadores, tablets e redes sociais pode causar à saúde mental, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens adultos.
Embora a tecnologia esteja cada vez mais integrada à rotina de trabalho, estudo e lazer, especialistas destacam que o equilíbrio é fundamental para evitar prejuízos emocionais, cognitivos e sociais.
O tempo de tela ideal varia de pessoa para pessoa
Segundo a psicóloga e professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, Regina Souza, não existe um consenso científico sobre a quantidade exata de horas que pode ser considerada saudável para todos.
“Atualmente, a comunidade científica aponta que a qualidade do uso é tão importante quanto o tempo de exposição. Quando pensamos o quão imersa a tecnologia está em nosso cotidiano, não nos percebemos mais sem ela, seja a trabalho ou lazer. Mas deve-se observar se a utilização das telas está substituindo atividades essenciais, como sono, exercícios físicos, convivência familiar e lazer”, explica.
O principal sinal de alerta está relacionado ao impacto que o uso das telas provoca na rotina e na qualidade de vida.
Como o excesso de tempo telas afeta a saúde mental?
Pesquisas têm demonstrado associação entre o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e o aumento de diversos problemas emocionais e comportamentais.
Entre os principais impactos observados estão:
- Aumento dos sintomas de ansiedade;
- Maior risco de depressão;
- Redução da qualidade do sono;
- Aumento dos níveis de estresse;
- Dificuldades de atenção e concentração;
- Queda do bem-estar psicológico;
- Maior isolamento social em determinados grupos.
De acordo com a especialista, a exposição contínua a notificações e estímulos digitais mantém o cérebro em constante estado de alerta.
“O uso contínuo aumenta a exposição a notificações, estímulos constantes e excesso de informações, mantendo o cérebro em estado de alerta quase permanente. Isso dificulta os períodos de descanso mental e favorece o aumento do estresse.”
Redes sociais e comparação constante podem gerar frustração
Outro fator frequentemente associado ao sofrimento emocional é a comparação excessiva promovida pelas redes sociais.
Ao acompanhar rotinas aparentemente perfeitas, muitas pessoas desenvolvem sentimentos de inadequação, baixa autoestima e frustração.
“Nas redes sociais, a comparação constante com vidas aparentemente perfeitas pode aumentar sentimentos de inadequação e frustração”, destaca Regina Souza.
Esse efeito é especialmente observado entre adolescentes e jovens em processo de construção da identidade.
Crianças e adolescentes são ainda mais vulneráveis
O excesso de tempo de tela também pode afetar o desenvolvimento das chamadas funções executivas, responsáveis por habilidades importantes como:
- Controle de impulsos;
- Atenção;
- Organização;
- Planejamento;
- Autorregulação emocional.
Segundo a psicóloga, os impactos podem ser ainda mais significativos em crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
“Em crianças e adolescentes com TDAH, o uso excessivo de mídias digitais também está associado ao agravamento da desatenção, impulsividade e hiperatividade, além de maior ocorrência de ansiedade, depressão e dificuldades no funcionamento executivo.”
Uso intenso é diferente de dependência tecnológica
Nem toda pessoa que passa muitas horas conectada apresenta dependência tecnológica. A diferença está na capacidade de manter controle sobre o comportamento.
O uso intenso geralmente ocorre sem comprometer outras áreas da vida. Já a dependência costuma apresentar características semelhantes a outros comportamentos compulsivos.
Os principais sinais incluem:
- Dificuldade para reduzir o tempo de uso;
- Ansiedade ou irritação quando está longe do aparelho;
- Perda de interesse por atividades presenciais;
- Prejuízos nos estudos, trabalho ou relacionamentos;
- Necessidade crescente de permanecer conectado.
“A dependência tecnológica apresenta características semelhantes às observadas em outros comportamentos compulsivos, especialmente quando há prejuízo na vida social, acadêmica ou profissional”, explica a especialista.
O que é detox digital?
Uma das estratégias mais utilizadas para reduzir os impactos do excesso de telas é o chamado detox digital.
A prática consiste em reduzir ou interromper temporariamente o uso de dispositivos eletrônicos e redes sociais, permitindo que a mente tenha períodos de descanso e recuperação.
Estudos recentes apontam benefícios significativos mesmo em períodos curtos de redução do uso das redes sociais, incluindo:
- Redução dos sintomas de ansiedade;
- Diminuição dos sintomas depressivos;
- Melhora da qualidade do sono;
- Aumento da sensação de bem-estar.
“Esses resultados sugerem que pequenas pausas no uso das mídias sociais podem trazer benefícios para o bem-estar emocional, especialmente quando fazem parte de uma relação mais equilibrada e consciente com a tecnologia”, afirma Regina Souza.
Como criar uma relação mais saudável com as telas?
Especialistas recomendam algumas estratégias simples para reduzir o impacto do uso excessivo da tecnologia:
- Estabelecer horários para utilizar dispositivos eletrônicos;
- Evitar o uso de telas antes de dormir;
- Praticar atividades físicas regularmente;
- Priorizar momentos presenciais com amigos e familiares;
- Reservar períodos do dia sem acesso às redes sociais;
- Desenvolver hobbies fora do ambiente digital.
Pequenas mudanças podem contribuir para uma rotina mais equilibrada e para a preservação da saúde mental.
Ao abordar o tema, a UNINASSAU Maceió destaca que a tecnologia faz parte da vida contemporânea e oferece inúmeros benefícios. No entanto, é fundamental que seu uso aconteça de forma consciente e equilibrada para evitar prejuízos ao bem-estar emocional, à produtividade e à qualidade de vida.
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