Por Gabriela Oliveira
As férias escolares representam muito mais do que uma pausa na rotina de estudos. O período também é uma oportunidade para estimular o desenvolvimento infantil por meio de experiências lúdicas que contribuem para o aprendizado, a criatividade e o fortalecimento das relações familiares.
Segundo a terapeuta ocupacional e docente do curso de Terapia Ocupacional da UNINASSAU Aracaju, Aglaedna Brito, o brincar ocupa um papel central na infância e desempenha funções essenciais para o crescimento saudável das crianças.
“Na Terapia Ocupacional, compreendemos que o brincar vai muito além do entretenimento. Por meio dele, a criança organiza emoções e desenvolve habilidades motoras, cognitivas, sensoriais e sociais”, explica.
Brincadeiras contribuem para o desenvolvimento infantil
Durante as férias, manter atividades lúdicas é importante para preservar habilidades já adquiridas e incentivar novas aprendizagens. Além de estimular a criatividade, o brincar favorece o desenvolvimento emocional e fortalece o vínculo entre crianças e familiares.
A especialista ressalta que o objetivo não é transformar o período de descanso em uma extensão da escola, mas oferecer experiências significativas e adequadas à idade da criança.
Rotina organizada ajuda na segurança emocional
Embora as férias sejam marcadas por maior flexibilidade, manter uma rotina minimamente organizada pode trazer benefícios importantes para o bem-estar infantil.
Horários regulares para dormir, alimentar-se, realizar atividades de higiene e brincar ajudam a criança a sentir mais segurança e previsibilidade no dia a dia.
“A rotina não precisa ser rígida, mas previsível. As crianças se sentem mais seguras quando conseguem antecipar o que vai acontecer ao longo do dia. Isso contribui para a regulação emocional e comportamental”, destaca Aglaedna Brito.
Como equilibrar brincadeiras e tempo de tela?
O uso excessivo de celulares, videogames e outras telas é um dos principais desafios enfrentados pelas famílias durante as férias. Segundo a especialista, o excesso de tempo diante dos dispositivos pode reduzir oportunidades importantes de movimento, interação social e exploração do ambiente.
A recomendação não é proibir totalmente o uso das telas, mas estabelecer limites e apresentar alternativas atrativas.
“Quando a criança encontra prazer em experiências reais e significativas, a dependência da tela tende a diminuir”, afirma.
Atividades simples podem estimular várias habilidades
Muitas brincadeiras realizadas dentro de casa contribuem para o desenvolvimento infantil e não exigem grandes investimentos.
Entre as opções recomendadas estão:
- Brincadeiras com massinha de modelar;
- Atividades com água;
- Pintura e desenho;
- Caça ao tesouro;
- Circuitos motores com almofadas;
- Construção de cabanas;
- Jogos de encaixe;
- Leitura compartilhada;
- Atividades culinárias simples.
Tarefas do cotidiano também podem ser transformadas em oportunidades de aprendizado, como organizar brinquedos, arrumar a cama ou ajudar a preparar a mesa para as refeições.
O que fazer quando a criança prefere celular ou videogame?
Para crianças que demonstram maior interesse pelas telas, a orientação é buscar conexão e participação.
De acordo com a terapeuta ocupacional, muitas vezes os dispositivos oferecem previsibilidade e recompensas imediatas, tornando-se mais atrativos para os pequenos. Por isso, a transição para outras atividades deve acontecer de forma gradual.
Entrar na brincadeira, participar das atividades e transformar interesses digitais em experiências concretas são estratégias eficazes para ampliar as possibilidades de diversão.
Presença dos pais faz a diferença
Mais do que oferecer atividades, a qualidade da presença dos responsáveis tem papel fundamental durante o período de férias.
“Minha principal dica para os pais é: estejam presentes. O que a criança mais guarda é a qualidade da presença. As férias podem ser um tempo precioso para desacelerar, observar e fortalecer vínculos”, afirma Aglaedna Brito.
Segundo a especialista, afeto, segurança e disponibilidade emocional são tão importantes para o desenvolvimento infantil quanto qualquer estímulo pedagógico.
Brincar também é uma forma de aprender
Ao abordar o tema, a UNINASSAU Aracaju reforça que o brincar continua sendo uma das principais ferramentas de desenvolvimento na infância. Durante as férias, atividades lúdicas contribuem para a aprendizagem, estimulam a autonomia e fortalecem as relações familiares, transformando momentos simples em experiências significativas para toda a vida.
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