Por Lívia Monteiro
O consumo de refrigerantes permaneceu cada vez mais presente na mesa dos brasileiros. A bebida seguiu como escolha frequente para acompanhar refeições como pizza, sushi e até o tradicional arroz com feijão, refletindo um hábito que não se restringiu apenas ao Brasil, mas também a consumidores de diversas partes do mundo.
Segundo dados do Anuário das Bebidas Não Alcoólicas, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o setor apresentou crescimento. Os refrigerantes lideraram a produção nacional, representando 79% do total, além de responderem por 57,3% das vendas no país.
Consumo elevado persistiu apesar das novas rotulagens
Mesmo após a implementação das novas regras de rotulagem nutricional, em 2022, o consumo manteve-se alto. Classificados como alimentos ultraprocessados, os refrigerantes continuaram sendo ricos em açúcares e calorias, estando associados a problemas crônicos de saúde, como obesidade, diabetes tipo 2, câncer e doenças cardiovasculares.
De acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), entre adultos brasileiros, o consumo médio semanal de bebidas adoçadas correspondeu a cerca de um copo de 140 ml por dia, evidenciando a regularidade desse hábito alimentar.
Apesar do crescimento da busca por uma alimentação mais saudável, o mercado passou a investir em versões sem adição de açúcar ou com redução calórica. Esses produtos passaram a ser vistos por muitos consumidores como alternativas para o emagrecimento. No entanto, essa substituição não representou, necessariamente, uma melhora real na qualidade da alimentação.
Segundo Daniela Gomes, especialista em saúde pública e docente do curso de Nutrição do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, os benefícios dessas opções foram limitados. “Uma revisão da Organização Mundial da Saúde apontou que o uso de adoçantes sem açúcar não demonstrou benefício consistente na redução de gordura corporal a longo prazo. Embora essa análise ainda estivesse sendo avaliada pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde, ela já indicou um alerta sobre o uso de adoçantes como substitutos do açúcar”, explicou.
Estudos associaram adoçantes a riscos metabólicos
Pesquisas recentes também associaram o consumo de refrigerantes com adoçantes artificiais ao desenvolvimento de doenças metabólicas. Diante disso, a especialista recomendou a substituição por bebidas mais naturais, como águas saborizadas, chás gelados naturais, sucos e frutas in natura.
Além de mais saudáveis, essas alternativas diversificaram o paladar sem a dependência de alimentos ultraprocessados.
De acordo com Daniela Gomes, a principal orientação foi reduzir a frequência do consumo de refrigerantes e priorizar bebidas naturais no cotidiano. “Uma estratégia possível foi reservar o consumo para momentos específicos, como encontros sociais ou ocasiões especiais. No dia a dia, a recomendação foi priorizar água, chás naturais ou água com gás, podendo adicionar frutas e ervas frescas”, afirmou.
Debate sobre medidas de controle do consumo
Entre as medidas discutidas para conter o aumento do consumo de refrigerantes esteve a implementação do imposto seletivo sobre bebidas açucaradas, previsto na Reforma Tributária. A proposta baseou-se nos impactos desses produtos sobre a saúde pública.
“O mais importante foi olhar para o conjunto da alimentação. Quanto mais a dieta esteve baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, menor foi o impacto do consumo ocasional dessas bebidas”, concluiu a especialista.