Por Juan Lapa
A campanha Abril Azul tem como principal objetivo dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e ampliar o debate sobre a importância do diagnóstico precoce, especialmente ainda na infância. A iniciativa busca promover informação, inclusão e respeito às pessoas com autismo e suas famílias.
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, cerca de 2,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 1,2% da população, estão dentro do espectro autista, o que reforça a relevância do tema como pauta de saúde pública e social.
O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por:
- Dificuldades na comunicação e na interação social
- Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades
Os sinais de alerta costumam surgir nos primeiros meses de vida, e o diagnóstico clínico, realizado por especialista, geralmente é confirmado entre os 2 e 3 anos de idade, podendo ocorrer já aos 12 meses, dependendo do caso.
Para a psicóloga e professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Paulista, Liliane Neves, a avaliação é totalmente clínica e envolve diferentes etapas. “O diagnóstico pode incluir entrevistas com os pais ou com a própria pessoa com autismo. No caso de adultos, é necessário relatar histórico de desenvolvimento, hábitos comportamentais e interação social, por meio da observação clínica direta”, explica.
Identificar o TEA precocemente permite compreender melhor as necessidades individuais e direcionar intervenções mais eficazes.
Conheça os níveis de suporte do TEA
O Transtorno do Espectro Autista não é uma deficiência e possui três níveis de classificação, definidos de acordo com o grau de apoio necessário no dia a dia:
Classificação dos níveis de suporte
- Suporte nível 1: conhecido como autismo de alto funcionamento, exige apoio mínimo
- Suporte nível 2: demanda apoio mais substancial, com dificuldades mais evidentes na comunicação e interação social
- Suporte nível 3: requer assistência intensa e contínua, com dificuldades graves na comunicação social, podendo haver fala limitada ou ausente
Essa classificação ajuda profissionais e famílias a planejarem estratégias mais adequadas de acompanhamento e cuidado.
A especialista da UNINASSAU Paulista reforça que o diagnóstico deve ser visto como um instrumento de apoio, e não como estigmatização. “Identificar os sinais desde cedo permite respeitar as particularidades e potencialidades de cada pessoa. Quando o acompanhamento começa precocemente, aumentam as chances de promover autonomia, qualidade de vida e inclusão. O laudo não é um rótulo, mas uma ferramenta para garantir intervenções e terapias personalizadas”, destaca Liliane Neves.
Direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista
No Brasil, existem legislações fundamentais que asseguram os direitos das pessoas com TEA. Um exemplo é a Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012), que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Autismo, garantindo:
- Acesso à saúde
- Educação inclusiva
- Assistência social
- Prioridade em atendimentos
- Acessibilidade
- Direito ao trabalho
Essas garantias fortalecem a inclusão social e a cidadania das pessoas com autismo.
Em alusão ao Abril Azul, neste sábado (25), todas as Instituições da Companhia Ser Educacional — UNINASSAU, UNAMA, UNG, UNI7, UNINORTE e UNIFAEL — realizam o evento “Cuidando do Cuidador”, promovido pelo Núcleo de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (NATEA).
A ação oferece serviços de saúde e atendimentos especializados para responsáveis por crianças com autismo, que também são acolhidas durante as atividades, fortalecendo o cuidado integral com as famílias.
Ao apoiar e promover ações como essas, a UNINASSAU Paulista reafirma seu compromisso com a informação, inclusão e respeito à diversidade, contribuindo para uma sociedade mais consciente, empática e preparada para acolher as pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
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