Uso de fones de ouvido pode causar perda auditiva irreversível

Especialista alerta para riscos do volume alto e do uso prolongado no dia a dia.

Por Lívia Monteiro

O uso de fones de ouvido se tornou parte da rotina de milhões de pessoas, seja em casa, no trabalho, na academia ou no transporte público. Apesar da praticidade, o hábito pode representar riscos à saúde auditiva quando realizado de forma excessiva. Segundo o Relatório Mundial sobre Audição, da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 cerca de 2,5 bilhões de pessoas no mundo poderão apresentar algum grau de perda auditiva.

Exposição prolongada a sons é principal fator de risco

Entre os principais fatores associados ao problema está a exposição contínua a ruídos diretamente no ouvido. O uso frequente de fones gera pressão sonora constante no ouvido interno, semelhante à enfrentada por trabalhadores expostos a ambientes industriais barulhentos. Embora a perda auditiva faça parte do envelhecimento natural, esse hábito pode antecipar o surgimento do problema.

Volume alto aumenta os danos à audição

O risco se intensifica quando o volume é elevado por longos períodos. De acordo com o fonoaudiólogo e docente do curso de Fonoaudiologia do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, Isaías Neri, o ouvido possui estruturas extremamente sensíveis. “Dentro do ouvido existem as células ciliadas internas, responsáveis por transformar vibrações sonoras em estímulos nervosos. Quando expostas a ruídos intensos de forma contínua, elas podem ser danificadas permanentemente”, explica.

Danos são irreversíveis e progressivos

Segundo o especialista, a perda dessas células não tem reversão, já que o organismo não consegue regenerá-las. Esse processo pode resultar em perda auditiva progressiva ao longo do tempo. Entre os primeiros sinais estão zumbidos, chiados e sons semelhantes a apitos, que tendem a se intensificar, principalmente em ambientes silenciosos ou ao final do dia.

Sintomas iniciais costumam ser ignorados

Mesmo com sinais evidentes, muitas pessoas não associam os sintomas a danos auditivos e acabam adiando a busca por atendimento especializado. Esse comportamento pode agravar o quadro e dificultar o tratamento precoce.

Tempo de uso e volume devem ser controlados

Especialistas recomendam que o volume dos dispositivos não ultrapasse 60% da capacidade máxima. Além disso, o tempo de uso contínuo deve ser limitado. “Mesmo com volume moderado, utilizar fones por mais de 60 minutos seguidos já pode causar impactos. O ideal é fazer pausas frequentes para reduzir a exposição”, orienta Isaías Neri.

Headphones podem reduzir impactos, mas não eliminam riscos

Para quem não abre mão do acessório, os headphones podem ser uma alternativa. Por ficarem sobre as orelhas e mais afastados do canal auditivo, eles reduzem a pressão sonora direta no tímpano. Ainda assim, não são totalmente seguros quando utilizados por longos períodos ou em volumes elevados.

Casos de perda auditiva atingem pessoas cada vez mais jovens

“Os efeitos da perda auditiva não costumam aparecer de forma imediata. Em muitos casos, os sintomas mais graves surgem apenas entre os 40 e 50 anos. No entanto, já observamos ocorrências em pessoas cada vez mais jovens”, alerta o especialista.

O mesmo risco se aplica a indivíduos que frequentam festas, shows ou ambientes com som intenso, especialmente quando permanecem próximos às caixas de som por longos períodos.

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